Ritual TUFDS
"Fazemos a saudação aos Orixás Oxalá, Ogum, Iemanjá, Oxum, Xangô, Iansã e Oxóssi e também às entidades que trabalham na Casa."
Sem nenhuma dúvida quase cada terreiro de Umbanda cria o seu próprio ritual, regras e filosofia de trabalho. Quando iniciamos nossos trabalhos tivemos que montar o nosso, baseado em muito do que eu já trazia como bagagem do terreiro que o Pai de Santo da casa já trazia de sua formação.
Hoje ele não está muito diferente embora tenham sido introduzidos novos pontos criados pelas entidades do terreiro. Devemos entender que o ritual não é só o obedecido no início das giras, mas todo o comportamento ético e respeitoso que temos com as entidades e entre nós, os médiuns. Mas, neste texto, vamos explicar o começo de uma gira até o seu encerramento. Servirão para mostrar que tudo deve ser aberto e sem segredos. Claro que muita coisa pessoal está alicerçada nesses fundamentos. Iniciamos em formação de quatro linhas os médiuns são perfilados e o equilíbrio energético da corrente é estabelecido.
Em cada gira, o Pai de Santo trás informações sobre a gira e passa um pouco de conhecimento sobre as entidades que trabalharão naquela gira, reforçando mas, principalmente, trazendo conhecimento aos consulentes, o que serve de impulso para a formação e desmistificação em novos seguidores da umbanda.
Vestimenta
"A roupa é branca, mas não é uniformizada. As camisas masculinas e blusas femininas não são iguais. Mas são todas brancas. Não se deve usar sapatos, ficamos descalços durante as giras porque, quando o pé toca diretamente o chão, a gente 'aterra' a energia. É como se o nosso corpo ficasse mais conectado à força da terra e ao campo espiritual que se forma no terreiro. Sem sapato, a energia circula melhor, o médium sente mais firmeza, mais presença e mais verdade no que está vivendo. Também é uma forma de respeito: tiramos aquilo que é do mundo lá fora para entrar limpos, leves e inteiros no trabalho espiritual. É simples, mas faz toda a diferença na qualidade da gira e na sintonia com nossos guias."
Sequência da Gira
Saudação às Sete Linhas e ao Anjo da Guarda
Momento em que reconhecemos as forças que regem a Umbanda e pedimos proteção pessoal para cada médium e consulente.
Saudação a Exús, Pombogiras e Exú Mirim
Firmando as entidades que guardam a porteira, protegem o espaço e cuidam do campo vibratório para que tudo ocorra em segurança.
Abertura da Jurema
Chamando a force ancestral da floresta, da cura e da firmeza de chão.
Hino da Umbanda
Reafirmando nossa fé, nossa missão e os valores da caridade que norteiam nosso trabalho.
Saudação à Curimba
Reconhecendo que o toque e o canto abrem caminhos, movimentam energia e sustentam a vibração do terreiro.
Defumação
Purifica, acalma e limpa o ambiente, os médiuns e todos que estão presentes.
Bate-Cabeça
Gesto de humildade, entrega e conexão com a espiritualidade.
Prece
Pedindo luz, equilíbrio e sabedoria para toda a gira.
Saudação a Oxalá, Ogum e Iansã
Oxalá traz paz, serenidade e clareza. Ogum abre os caminhos, protege a porteira e sustenta nossa força. Iansã movimenta, varre e transforma o que precisa ser levado.
O Pai de Santo pode incluir saudações a outros Orixás, conforme a necessidade da gira, da linha do dia ou da vibração que precisa ser firmada no terreiro naquele momento.
Com tudo preparado, firme e protegido, iniciamos os passes e atendimentos, onde as entidades trabalham com amor, cura, orientação, firmeza e transformação para todos que chegam em busca de ajuda.